» Relógios de Bolso Antigos

Embora mecanismos de marcação de tempo existam por milhares de anos, os primeiros relógios portáteis não apareceram até o ano de 1500 aproximadamente. Até aquele tempo, os mecanismos de um relógio eram tão grandes, pesados e robustos que poucas pessoas consideraram a possibilidade de um relógio portátil.

A maioria dos relógios era enorme e alocados em igrejas ou catedrais. Contrapesos e pêndulos eram normalmente feitos de bloco de pedra ou metal. Nessa mesma época, Henry De Vick inventou um relógio para o palácio real de Paris com um contrapeso de cerca de 230 quilos que descia por uma estrutura de 11 metros e possuía apenas o ponteiro de horas – Aliás, como todos os relógios daquela época. Um cronômetro de mão era um pensamento ridículo naquele tempo.

A invenção de um relógio portátil traria grandes avanços à civilização. Ele foi necessário para o estudo de astronomia e física, para capitães de navio foi utilizado para cálculos de navegação aumentando sensivelmente a probabilidade do retorno seguro do navio, sua carga e tripulação.

Embora os egípcios foram os primeiros relógios solares por volta de 1300 A.C. o ferreiro alemão Peter Henlein é um dos primeiros inventores registrados a criar um relógio aproximadamente em 1500 D.C.

Os primeiros relógios foram feitos de aço. Os primeiros relojoeiros eram ferreiros e serralheiros devido ao seu conhecimento e prática com metais como o aço para fazer ferramentas e instrumentos. Eventualmente os mesmos serralheiros dominaram o manuseio de metais mais nobres como bronze, prata e ouro que passaram a ser aplicados nos relógios em substituição ao aço. Também "miniaturização" lentamente foi incorporada e esses artesãos ficaram adeptos do trabalho refinado que a atividade exigia. Nessa época os relógios mediam cerca de 13 cm de diâmetro por 8 cm de espessura.
Foi à descoberta da tecnologia da mola por Peter Henlein e outros que tornaram o cronômetro pessoal possível. Molas em espiral poderiam ser enroladas e desenroladas para movimentar o ponteiro do relógio. Embora essa nova tecnologia tenha sido um salto gigantesco com relação aos pesos e pêndulos ela ainda era imprecisa, pois molas espirais não se desenrolam com uma força/velocidade constante, mas quando se compara a estimativa da hora pela posição solar, ter uma peça que você pode vestir ou carregar num colar mesmo que por uma hora ou algo parecido era algo perto de um milagre.

A primeira solução para o desenrolar inconstante veio quando os relojoeiros perceberam que a mola se desenrolava mais estavelmente quando não estava enrolada completamente e isso levou ao desenvolvimento de vários mecanismos para prevenir o completo enrolamento da mola. O primeiro mecanismo foi o “stackfreed” que era uma mola em forma de “braço” que compensava a mola principal aumentando a pressão à medida que a principal se desenrolava. Associado a esse sistema o “Fusee” não permitia que a mola se enrolasse completamente e possuía um limite feito geralmente com uma tira de couro de porco.
Em 1675 vários relojoeiros descobriram que uma mola em espiral ligada ao balanço aumentava muito a precisão. A partir desse momento os relógios passaram a variar apenas alguns minutos por dia em vez de variar perto de uma hora. Esse avanço gerou a necessidade da adição do ponteiro de minutos.

Até essa época os relógios tinham que receber corda duas vezes ao dia, com a adição de uma quarta roda de engrenagens ao mecanismo a necessidade foi reduzida a uma vez ao dia. O ponteiro de segundos foi adicionado quase um século depois e com o passar dos anos o apetite dos consumidores por inovações e dispositivos em seus relógios de bolso conduziu à adição de calendários marcando os dias da semana e mês, fases da lua, alarmes, batidas das horas como carrilhões e música.

Os primeiros relógios de bolso não tinham cobertura para proteger o mostrador ou o ponteiro de horas e só no século XVIII os relojoeiros ingleses começaram a fazer caixas em forma de concha dupla (pair cases) em ouro e prata para se encaixar o mecanismo dentro e protegê-lo. O nome do fabricante ou marca normalmente é achada no mecanismo e nas metades das caixas, em ambas, de forma que se os nomes ou numeração de série não fossem os mesmos a caixa não era original, mas uma reposição. Cristais e vidro foram introduzidos para a proteção dos mostradores, contudo, por não serem completamente transparentes ainda precisavam ser removidos para a leitura das horas.
Ainda o século XVIII os relojoeiros ingleses introduziram pedras (Jewels ou gemstones) como mancais das engrenagens para evitar a fricção e desgaste das partes de metal. Esses avanços ajudaram a catapultar a indústria de relógios para a vanguarda da tecnologia. Fabricantes de relógios de outros paises não adotaram a adição de pedras em seus mecanismos por quase um século. Hoje o número de “Jóias” em um relógio é sinal de qualidade e durabilidade.

Hoje em dia achar um relógio feito antes de 1700 é muito raro, a maioria dos que existem estão em grandes coleções e museus. Relógios fabricados antes de 1870 são muito populares, eles são procurados por colecionadores do mundo todo.

Determinar a idade de um relógio de bolso antigo é uma questão de se encontrar uma boa referência bibliográfica e checar a sua origem de acordo com o número de série do fabricante, hoje em dia a maioria das informações está disponível na Internet. No caso dos relógios americanos o número de série está no mecanismo, dentro do relógio, e não somente na caixa. Os relógios antigos ingleses tinham carimbos oficiais que podem ser pesquisados para identificar o ano de fabricação além do número de série nas caixas e mecanismo. Relógios mais antigos feitos na Europa são mais difíceis de datar, pois algumas vezes eles possuem números de série, mas geralmente não. Nesses casos o número das patentes dos fabricantes servem como referência. Esteja atento ao nome do fabricante impresso no mostrador, nem sempre o nome corresponde ao fabricante. Muitas companhias encomendavam um certo número de relógios a um fabricante e apenas colocavam seu nome neles, isso acontece muito com equipamentos eletrônicos atualmente.

O que Determina Seu Valor?

Materiais: Relógios feitos de ouro, prata, ou folheados são mais valiosos que os de bronze.

Perfeição: Nenhuma peça faltando. Além disso, ter a caixa original, nota de venda, ou outros documentos de procedência certamente acrescentarão ao valor.

Condição: Aparência do relógio é fundamental, atente para desgaste, arranhões, “fios de cabelo” ou manchas no mostrador, moças ou marcas no metal da caixa, consertos no mostrador, caixa, marcas de desmontagem no mecanismo etc. Funcionamento dos acessórios (calendário, carrilhões, fases de lua, etc.). Independentemente da idade do relógio tudo deve funcionar. Outro ponto importante, o relógio deve ter passado por revisão / lubrificação a cada 2 ou 3 anos por um profissional qualificado.

Qualidade: Número de jóias (os relógios mais conceituados têm 21 ou mais); o número de posições de ajuste (normalmente cinco, freqüentemente descrito no mecanismo); e ajuste de temperatura.

Raridade e Valor Histórico: Ter sido possuído por uma pessoa famosa ou histórica acrescenta valor – nesse caso prova documental é necessária. A maioria das gravações diminuem o valor de um relógio, a menos que seja relativa a uma pessoa famosa ou reflita a sua presença a um evento histórico. Mas cuidado, essas gravações são facilmente falsificadas, procure por outras formas de comprovação como fotos, convites, passagens etc.

Mauro Lucchini

Fontes:
Mike McLeod – Horologilcal Journal – BHI
“Antique Pocket Watchs” Max Cutmore